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Monte Verde (MG) a Visconde de Mauá (RJ)

  • 10/06/2016

Neste roteiro pedala-se em grande parte do tempo por estradas de terra próximas à divisa São Paulo - Minas Gerais chegando finalmente ao estado do Rio de Janeiro. Esta é justamente a região por onde se alonga a Serra da Mantiqueira, este imenso e belo maciço que ali sempre esteve a nossa disposição.


Por John Boettcher - Clube Brasileiro de Cicloturismo - cicloviagem realizada em Maio de 2002.

 

Neste roteiro pedala-se em grande parte do tempo por estradas de terra próximas à divisa São Paulo - Minas Gerais chegando finalmente ao estado do Rio de Janeiro. Esta é justamente a região por onde se alonga a Serra da Mantiqueira, este imenso e belo maciço que ali sempre esteve a nossa disposição. Por isso, não espere estradas muito planas.

Também passamos por pequenos bairros e vilas que permitem que o cicloturista tenha bastante contato com as pessoas da região. Saindo de Monte Verde, a primeira parada é Campos de Jordão. No caminho para Marmelópolis, ladeamos o famoso Pico dos Marins. Depois passamos por Itamonte, Santo Antônio, Mirantão e Maringá. Terminamos o percurso chegando a Visconde de Mauá, nas suas cachoeiras. O percurso leva cerca de 8 dias.

 

Confira o relato da cicloviagem

Primeiro dia - Saímos de Monte Verde, eu, John, Christian, meu irmão, e Egon, meu pai, dia sete de maio de 2002 às 6h da manhã.O primeiro dia é o caminho normal para Campos do Jordão por estrada de terra. Esta estrada passa por vários bairros: bairro da Ponte Nova, Areal, Fazenda Klabin até Sapucaí Mirim. Daí pra frente, são mais 20km até Campos do Jordão (de subida) chegando por volta de 17h. Neste dia pedalamos 110km. Um bom lugar para
dormir é a Pensão da Dona Olga, com preço bom, café da manhã e boa localização.


Segundo dia - De manhã fomos fazer algumas revisões nas bikes na bicicletaria do Zara e aproveitar para pedir dicas sobre o caminho. Almoçamos e seguimos viagem, sentido Parque Estadual Campos do Jordão, pela estrada do Horto. Chegando à portaria informe-se sobre o caminho para o Bairro do Charco. Para quem vai atravessar o Parque, não é necessário pagar a taxa de visitação. A partir da portaria, o caminho fica muito bonito, pois atravessa florestas de Araucária, reflorestamentos e campos. Após 30km, chegamos ao Bairro do Charco, já fora do Parque. O Charco é um vilarejo muito pequeno e isolado e um bom lugar para acampar, peça autorização para acampar ao lado da igreja.

Terceiro dia - Seguimos caminho sentido à Fazenda da Onça, uma Área de Proteção Ambiental administrada pelo exército, um local muito bonito. Passamos pela antiga Pousada do Barão, um casarão abandonado. Após passarmos uma das únicas casas à esquerda do caminho, pegamos a bifurcação à esquerda e enfrentamos uma longa subida e fomos recompensados por uma descida alucinante até a Barreira. A Barreira é um posto policial que fica no alto da serra na estrada de asfalto que liga Itajubá a Piquete. Pegamos a estrada à esquerda e pedalamos pelo asfalto mais ou menos uns 5km, entrando à direita na estrada de terra para Fazenda Saiquí, sentido Marmelópolis. Esse é o caminho que muitos montanhistas usam para subir o Pico dos Marins, uns dos picos mais altos do Estado de São Paulo. Após uma longa subida, chegamos à divisa de município Delfim Moreira – Marmelópolis. Paramos para comer um lanche e começamos a descer. Durante toda a descida pudemos admirar a beleza da Serra do Pico dos Marins e toda sua face norte. Chegamos em Marmelópolis no final do dia, tomamos uma cerveja e fomos procurar algum lugar para ficar. Nos hospedamos na Pousada do Zequinha. Nesse dia andamos uns 60km.

Quarto dia - Saímos de Marmelópolis com destino a Itamonte. Esse percurso tem 50km, é importante se informar em Marmelópolis sobre o caminho para Virgínia. Saímos cedo, o caminho é voltando uns 4km o percurso do dia anterior e entrando à esquerda sentido São José da Mantiqueira. Após uma longa subida, começamos a descer e observar algumas cidades no vale à esquerda, mais á frente há uma grande cachoeira à direita da estrada, um bom lugar para se fazer um lanche e tomar um banho. Após terminarmos de descer a serra, um pouco mais à frente chegamos a Virgínia. Até aqui já tínhamos pedalado 20km, e ainda tínhamos mais 30km até Itamonte, sendo que um bom trecho seria de asfalto, por isso é bom se abastecer de água e prestar atenção no tráfego de veículos na estrada. Saímos de Virgínia sob um forte sol do meio dia e após duas horas de pedal, paramos no Bar do Careca, que fica à esquerda da estrada para pedir informações. O Careca nos informou sobre uma estrada de terra que corta caminho e sai direto no Bairro do Capivari, onde entramos novamente na rodovia que liga Itamonte a São Lourenço. Daí pra frente nós pedalamos mais 8km em uma rodovia muito movimentada e sem acostamento. Esse trecho exigiu muita atenção, pois os caminhões passavam em alta velocidade e já estava escurecendo. Chegamos em Itamonte às 17h e fomos tomar uma cerveja para comemorar, pois a viagem estava ficando cada vez melhor, e a partir deste ponto iríamos entrar num dos trechos mais bonitos. Após jantarmos no Hotel Tomáz, nos informamos que não havia camping na cidade. Resolvemos seguir à noite até a Usina dos Braga, a uma hora e meia de Itamonte. Acampamos na beira de um grande lago onde havia um areal. 

Quinto dia - Tomamos café, levantamos acampamento e pegamos a estrada sentido Santo Antonio. Esse dia é muito cansativo, pois são 53km e boa parte é subida. Paramos para fazer um almoço no Bar Último Gole e pegar informações. Nesse lugar há uma encruzilhada, à esquerda vai para a Lagoa, e à direita, Monte Belo e Campo Redondo. Pegamos a da direita e mais a frente outra encruzilhada. A da direita vai para Campo Redonda/Fragrária e a da esquerda, Monte Belo/Santo Antonio. Pegamos a da esquerda e seguimos acompanhando um bonito rio. Após longas subidas e descidas avistamos o Bairro de Monte Belo, e à esquerda no fundo do vale, o Rio Aiuruoca. Esse rio nasce na parte alta do Parque Nacional de Itatiaia e desce pela vertente norte da serra até a cidade que leva o mesmo nome. Chegamos em Monte Belo e paramos na venda para pedir informações sobre o caminho para Santo Antonio. Se eu fizesse esse caminho novamente, pararia para acampar em Monte Belo, pois é um lugar muito agradável. Saímos e pegamos a subida à esquerda, sentido Serra dos Dois Irmãos, sentido Santo Antônio. Quanto mais subíamos, mais crescia o arrependimento de não termos acampado em Monte Belo. Após uma longa serra, chegamos a um conjunto de casas e subindo um pouco mais, enfim, chegamos no alto da Serra dos Dois Irmãos e divisa de município Itamonte e Bocaina de Minas. Daí pra frente foi só alegria, pois nós descemos uma longa serra, com visual incrível. Acampamos no Camping do Lourival que fica 2km antes de Santo Antônio, do lado direito da estrada. O Camping é muito bom, e a dona Nadir, esposa do Lourival, faz uma comida ótima. 

Sexto dia - Dia das Mães. Saímos do Camping e fomos para Santo Antônio, tomar café e telefonar para nossas mães, quando chegou um senhor e perguntou de onde estávamos vindo. Respondemos que vínhamos de Monte Verde, então ele disse: “ah, de mobilete eu também venho!!!”, foi quando olhou melhor as bicicletas que viu que nossos alforjes não eram motores e sim bagagens... Saímos de Santo Antônio sentido Mirantão, a 11km dali,
após uma forte subida chegamos no alto da serra, onde avistamos a Pedra Selada, a nossa esquerda e depois de uma longa descida chegamos a Mirantão. De Mirantão a Maringá são mais 17 Km, é bom se informar em Mirantão sobre o melhor caminho para Maringá. Um pouco antes de chegar, atravessamos uma ponte sobre o Rio Preto, sinal de que já estávamos chegando. Logo depois existe uma bifurcação, à esquerda vai para Visconde de Mauá e a direita para Maringá e Maromba. Pegamos a da direita e chegando à Maringá fomos procurar um lugar para acampar. Ficamos no camping da Barragem, um local muito agradável. A noite fomos comer uma pizza e tomar uma cerveja, estávamos felizes, pois tinha dado tudo certo em nossa viagem.


Sétimo dia - Acordamos tarde e aproveitamos para ficar um dia descansando em Maringá, lavamos nossas roupas e limpamos nossas bicicletas. Aproveitamos para conhecer acachoeira do Escorrega, em Maromba. À noite fomos visitar um amigo que conhecemos nas corridas de mountain bike.


Oitavo dia - Saímos de Maringá sentido Visconde de Mauá, com destino a Resende, RJ. Após passarmos por Visconde de Mauá, pegamos uma forte subida até o topo da serra e depois uma longa descida até começar o asfalto. Resolvemos ficar em Penedo e ir para Resende bem cedo, no outro dia. Acampamos em um camping no centro da cidade.

 

Essa viagem foi realmente especial, pois durante todo o tempo viajamos pela Serra da Mantiqueira, conhecemos pessoas que moram em lugares totalmente isolados e preservam sua cultura e costumes. Portanto, não deixe de tomar uma cerveja ou um refrigerante em algum bar, ouça as histórias que as pessoas tem para contar, e conte as suas histórias. Sempre respeite a cultura e o modo de pensar das pessoas de cada local. O cicloturismo não é uma corrida de aventura, é apenas uma forma de viajar, que tem como principal vantagem um contato maior com as pessoas e o ambiente por onde se passa. Esse é o verdadeiro espírito do cicloturismo. Portanto tire sua bicicleta da lavanderia e boa viagem. 

 

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