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Cicloviagem Agulhas Negras - O pedal mais alto do Brasil

  • 05/11/2017

Motivados pelo desejo de conhecer mais um pedaço inédito do Brasil, fomos ao Estado de Minas Gerais, para percorrer 160km, transpondo serras, subidas intermináveis, apreciando as mais lindas paisagens da Serra da Mantiqueira numa das regiões mais altas do Brasil.


Ciclistas: Luciano Carneiro, Maria Teresa, Angélica e Paulo Gomes

Cicloviagem Agulhas Negras

Em meio à desafiadora paisagem da Serra da Mantiqueira, entre os estados de Minas gerais e Rio de Janeiro, um lugar repleto de montanhas íngremes, onde a cultura e a hospitalidade do povo são capazes de materializar os sonhos em vivências únicas e enriquecedoras.

Motivados pelo desejo de conhecer mais um pedaço inédito do Brasil, fomos ao Estado de Minas Gerais, para percorrer 160km, transpondo serras, subidas intermináveis, apreciando as mais lindas paisagens da Serra da Mantiqueira.

Saímos da  cidade de Itamonte-MG com destino a umas das regiões mais altas do Brasil, adentrando no Parque nacional de Itatiaia, onde se localiza as montanhas mais altas do país, com quase 2.800 metros de altitude. 

1º Dia - Itamonte-MG/Parque Itatiaia/Bairro Fragária

58km - 2.100 metros de subidas acumuladas

Depois de uma longa viagem de quase 5 horas, chegamos na cidade de Itamonte-MG por volta das 6 horas da manha. Itamonte é uma ciade mineira com cerca de 15 mil habitantes, fica na região de São Lourenço e faz divisa  com o Estado do Rio de Janeiro com a cidade de Resende.

Logo encontramos um hotel na beira da BR 354 que corta a cidade e segue sentido ao estado do Rio de Janeiro. Trocamos e preparamos as bicicletas, estava bastante frio. Nosso primeiro destino do dia seria o Parque nacional de Itatiaia.

BR 354 sentido Garganta do Registro

 

Seguimos pela rodovia BR 354 sentido a Garganta do Registro (divisa de estado), foram exatos 20km de subidas pela rodovia, não muito ingrimes, mas uma subida contínua. A rodovia não tem acostamento, o transito de caminhões estava bem intenso. Seguimos em linha pela margem da pista e quando vinham veículos andávamos fora da pista. Estes primeiros 20 quilômetros requer bastante atenção.

Pela BR 354

A Garganta do Registro é o ponto mais alto das rodovias federais asfaltadas no Brasil  1.669 metros de altitude (a BR-485, não pavimentada, atinge altitudes ainda maiores, e também há estradas municipais e vicinais mais altas em outros pontos da Mantiqueira). Ali começa a BR-485, que dá acesso à parte alta do Parque Nacional de Itatiaia.

Divisa de estado BR 354 - Garganta do Registro

Na divisa de estado haviam várias vendas, lojas e restaurantes. Muita das lojas vendiam pamonha, pinhão, queijo, doces caseiros. Fizemos uma primeira parada para comermos algo, pois a partir dali, já iríamos adentrar na estrada rumo ao Parque de Itatiaia e não havia mais opção para almoço ou lanche a partir deste ponto até a saída do parque. Comemos uma deliciosa pamonha e provamos um queijo na Loja da Verinha.

 

Parada para um lanche

Depois de uma parada rápida, seguimos pela BR 485, também chamada de Rodovia das Flores e Estrada dos Lírios, é uma rodovia federal de ligação brasileira que liga o município de Itatiaia (RJ) ao passo de montanha denominado Garganta do Registro, localizado na divisa entre os estados brasileiros do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, no entroncamento com a BR-354, atravessando o Parque Nacional de Itatiaia.

Na BR-485 está localizado o ponto mais alto de todas as rodovias federais do Brasil, a 2460 metros acima do nível do mar.  Este ponto fica situado logo após o acesso para o morro da Antena, entre a portaria 3 (conhecida como "Posto Marcão") do Parque Nacional de Itatiaia e o abrigo Rebouças. A partir deste ponto, há uma pequena estrada vicinal de 1,4 km que leva até o topo do morro da Antena, onde há uma estação de rádio da Eletrobras Furnas, a 2662 m. Assim, este pequeno acesso que sai da BR-485 leva ao ponto mais alto que é possível atingir no Brasil utilizando-se um veículo comum. 

As subidas a partir da garganta do Registro já começaram a focar mais ingrimes. a BR 485 não era pavimentada, ora algumas partes de concreto, mas a maioria era de terra e cascalho. Fomos passados por diversos carros, que estavam indo em direção ao parque. 

A BR-485 no interior do Parque Nacional de Itatiaia. Ao fundo pode ser visto o maciço do Itatiaia.

As paisagens que já estavam bonitas ficaram deslumbrantes a medida que iamos subindo, era possível avistar a vasta cadeia de montanhas do maciço de Itatiaia. 

Sentido portaria do Parque

Finalmente chegamos na portaria do parque. Nosso objetivo era subir a morro da Antena, loval mais alto do parque onde era possível ir de bicicleta com quase 2.600 metros de altitude. Pagamos a taxa de 17 reais por pessoa e preenchemos um termo de responsabilidade para entrada no parque.

Depois da portaria ainda tinham cerca de 2 quilômetros de uma forte subida até o topo do morro da Antena, cruzamos com muitos turistas a pés neste trecho, pois a partir dali era somente permitido bicicletas ou caminhadas. Foram exatos 35km de subidas desde a cidade de Itamonte, onde iniciamos a cicloviagem, até o morro da Antena.

Subida do Morro da Antena

Subida do Morro da Antena, ao fundo o Pico das Agulhas negras com quase 2.800 metros de altitude

O sabor da conquista a quase 2.600 metros de altitude

Deus é perfeito

A paisagem a 2600 metros de altitude era deslumbrande, era possível ver o Pico das Agulhas Negras com quase 2.800 metros de altitude (quinto ponto mais alto do Brasil) o maciço das Prateleiras, o morro do Couto. Ficamos cerca de meia hora apreciando as lindas paisagens e tamanha perfeição da natureza. 

Eram por volta das 12:30 quando iniciamos a descida do parque, seguiríamos para o Bairro da Fragária. Para nossa tranquilidade boa parte do percurso era de descidas. 

Descida do parque

Placas indicativas, descesmos sentido Serra Negra/Fragária.

Tivemos que colocar nossas blusas, estava bastante frio na descida. O caminho bifurcava e seguirmos sentido a Fragária. A partir deste ponto das descidas ficaram mais ingrimes e perigosas, haviam muitas pedras soltas e muito pó.

Depois de alguns quilômetros de descidas havia uma bifurcação onde seguia para o Bairro de Serra Negra para a esquerda, seguimos para a direita. A descida era muito ingrime e perigosa, praticamente um caminho sem volta por tamanha inclinação e dificuldade. Fizemos a descida com muito cuidado. Havia uma moradora local que estava descesdo de moto com uma criança, ambos sem capacete, ela estava com muito medo e insegura para descer. O Paulo Gomes ajudou ela, desceu com sua moto e ela foi empurrando a sua bicicleta.

A partir deste ponto, passamos uma ponte de madeira e começaram alguns "sobe e desce" por cerca de alguns quilômetros, enfim chegamos ao Bairro da Fragária, eram por volta das 15hs. Tínhamos em meta chegar até a idade de Santo Antônio do Rio Grande neste dia, mas ainda faltavem cerca de 35km, com muita subida, o que nos fez ficar no Bairro da Fragária.

Igreja da Fragária

O Bairro é bem pequeno, fica entre as montanhas frias de minas gerais, tem poucas casas. Procuramos por algumas pousadas, pois não havíamos feito reserva antecipada, haviam cerca de 6 pousadas bem próximas.

Decidimos ficar hospedados na Pousada do Silêncio. O local é bem simples, cabana, casa na árvore e a natureza exuberante ao redor. Fomos muito bem recebidos.

O jantar foi servido na casa dos proprietários, ao redor do fogão a lenha, comida boa, caseira. O bate papo com durante o jantar nos fez sentir em casa. "Bença mãe, bença pai", chega o filho e logo nos embalamos na conversa.

A simplicidade e o modo de acolher os hospedes é o que faz a diferença e faz a gente querer voltar.

 

2º Dia - Bairro Fragária/Santo Antônio do Rio Grande/Alagoa 

60km - 1.900 metros de subidas acumuladas

Acordamos por volta das 7 da manhã, estava muito frio, fomos tomar café da manhã.

Neste dia nossa meta era andar por volta de 90km. Nosso próximo destino seria o bairro de Santo Antônio do Rio Grande (distrito de Bocaina de Minas).

Arrumamos nossas mochilas e bicicletas e nos despedimos. Gratidão por termos nos recebidos com tanto carinho.

Foto de despedida na entrada da pousada

O caminho seguiu por uma estradinha maravilhosa em meio a enermoes montanhas.

Logo mais avistamos uma enorme cachoeira na montanha, era a Cachoeira da Fragária, com quase 100 metros de altura a cachoeira se destacava pela beleza de sua queda d’ água . Imponente entre florestas de araucárias, e despencando de uma enorme pedra, as águas deslizam por um majestoso cânion.

A medida que pedalavamos as paisagens se tornavam mais bonitas. Em determinado momento era possível avistar entre as montanhas ao longe o Pico do Papagaio em Aiuruoca. 

Por volta do quilômetro 12 chegamos na fazenda Monte Belo, onde havia uma venda, fizemos uma parada para uma conversa com alguns moradores que estavam lá. 

Venda na Fazenda Monte Belo

Depois da fazenda Monte Belo começamos a subir a serra. A subida era bem forte, com alguns trechos de sombra, chegamos a 1650 metros no topo da serra. Despencamos em uma descida de 13 quilômetros, até avistarmos o povoado de Santo Antônio do Rio Grande, eram por volta de meio dia. Havíamos andado aproximadamente 37km. 

O povoado tem cerca de 600 habitantes, pertence à cidade de Bocaina de Minas, que fica a 14 quilômetros dali. Santo Antônio do Rio Grande é rodeado por altas montanhas das quais vertem córregos que se precipitam em belas cachoeiras. A temperatura ao longo do ano é amena, porém, no inverno, o frio se intensifica, levando a temperaturas abaixo dos 10ºC. A geada é um fenômeno comum na estação mais fria do ano, fazendo os campos se cobrirem com uma fina camada de gelo. A altitude fica próxima dos 1.200 metros. Santo Antônio do Rio Grande, além dos atrativos naturais, também conta com artesanato local, culinária típica mineira, pousadas, bares e festas tradicionais. O dia 13 de junho, dia do santo padroeiro, é comemorado em alto estilo e, como em toda festa junina, a tradicional fogueira, que chega a atingir algumas dezenas de metros, estala ao calor das labaredas até a madrugada.

Chegada em Santo Antônio do Rio Grande

Encontramos um restaurante na cidade e fizemos uma parada para almoço. 

A princípio nosso destino da cicloviagem seria seguir até o Bairro Mirantão (a 17km de Santo Antônio do Rio Grande) descer para Maringa, subir para Bocaina de Minas e depois voltar para Santo Antônio do Rio Grande, algo em torno de 45 km. Mas em decisão com o grupo,decidimos tocar direto para Alagoa, pois achamos que o percurso iria fiar um pouco puxado para o ultimo dia. AInda tinhamos que fazer uma viagem de carro de volta para nossa cidade de 400 quilômetros.

E assim fizemos, seguimos em direção à cidade de Alagoa. Iniciamos a subida da serra, uma subida muita inclinação, pedra solta e longa. Depois de 1 quilômetro avistamos a placa da cachoeira Cinco Estrelas. Descemos até ela para algumas fotos, a cachoiira é maravilhosa, tem cinco quedas entre o canion, dai o nome cinco estrelas.

Cachoeira cinco estrelas

Voltamos a subida da serra, e depois de aproximadamente 1 quilômetro havia a entrada para o Mirante do Zé Manuela, a cerca de 1.800 metros de altitude de onde se tem uma vista deslumbrande da região de Mauá, maciço das Agulhas Negras e a Pedra Selada.

Vista do Mirante Zé Manuela - Plataforma para vôo livre

Atingimos o topo da serra, do mesmo modo que a subida estava difícil a descida também foi bem perigosa, com muita pedra solta. A natureza era deslumbrante ao nosso redor.

Descida da serra para Alagoa

Avistamos de longe a cidade de Alagoa, chegamos por volta das 16 horas, e fomos nos hospedar na Pousada Pica Pau, na avenida central da cidade. 

 

Alagoa começa já no alto da Serra da Mantiqueira a uma altitude de 1132 metros, sendo o ponto mais alto o Pico do Garrafão ou Santo Agostinho com 2.359 metros. Sua população é de cerca de 3.000 habitantes .

 

Alagoa é conhecido pelo queijo parmesão produzido pela população que vive na Zona Rural, sendo considerada a "Terra do Queijo Parmesão". O clima e topografia são determinantes no diferencial do sabor dos queijos alagoenses.

 

3º Dia - Alagoa a Itamonte-MG

40km - 1300 metros de subidas acumuladas

Dencansamos bem no dia anterior. O último dia da cicloviagem ficou bem mais tranquilo. 

Alagoa ficando para trás

Seguimos em direção à Itamonte pela rodovia que liga as duas cidades, serpenteada de curvas fechadas, ora trechos asfaltados, ora trechos de terra. as partes de terra estavam com muita poeira, fazia tempos que nã chovia, o pneu da bicicileta afundava no pó. Tinhamos uma opção de passar pelo Parque do Papagaio, mas decidimos seguir pela estrada principal, pois achamos que pelo parque iria tomar muito tempo.

A subida da serra não é difícil, porém é muito longa, foram cerca de 20 quilômetros de subidas até atingirmos o topo da serra aos 1900 metros de altitude.

Subida da serra sentido Itamonte-MG

A descida da serra até a cidade de Itamonte é feita por asfalto, cerca de 18 quilômetros de descidas, até avistarmos a cidade. Chegamos em Itamonte por volta de meio dia. 

Num total foram pedalados cerca de 160 quilômetros em três dias de cicloviagem. 

Agradeço a Deus por me dar saúde para realizar mais esta cicloviagem.

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